15/07/2017

Resenha: A Cidade Perdida

Livro: A Cidade Perdida
Autor: Pedro Terrón
Editora: Primavera Editorial
ISBN: 9788561977061
Ano: 2009
Páginas: 324

Sinopse:

Em tempos remotos, um sábio criou sete misteriosas estrelas com propriedades surpreendentes. As peças brilhantes caíram nas mãos de uma mulher sem escrúpulos, o que gerou uma tragédia de enormes proporções e logo em seguida, levou ao desaparecimento das estrelas, sem que ficasse o menor rastro. Nos dias de hoje, Runy, um jovem espanhol, encontra uma das estrelas nas águas do Mediterrâneo. Por incrível que pareça, ele sonhou várias vezes com essa joia. A partir daí, envolve-se numa emocionante aventura que o conduzirá a uma época antiga, na qual poderá reviver uma vida passada repleta de fatos inusitados e conhecerá Dámeris, sua alma gêmea. Juntos, participam de um incrível projeto cujo desfecho é inimaginável. A história inacabada de antes deverá encontrar seu desfecho agora, no presente. Desvendar o mistério do passado pode afetar seu destino e o de toda a humanidade.

Resenha:

Resenhar esse livro é extremamente complicado. Não porque seja um livro complexo, a dificuldade advém do apego que criei com o enredo. É difícil transformar em palavras o que você sente por um livro que você gosta, ainda mais quando não se espera tanto de uma obra e ela te surpreende.

Em A Cidade Perdida, primeiro livro da série Kalixti – O Enigma das Sete Estrelas, conhecemos Rafael Ulloa Navas del Yelmo, o Runy. Com ele, mergulhamos em um mundo repleto de encanto, digno de um filme de ficção científica. A princípio, o protagonista se mostra um jovem intrépido e destemido. Após fracassar na sua primeira empresa, pega dinheiro emprestado e monta uma segunda. Porém, quando essa começa a lhe render lucros, ele a vende e resolve comprar um submarino.

“Ainda bem, tudo foi só um pesadelo. Um pesadelo tão real que eu juraria ser aquele jovem grego ou romano – não saberia diferenciar – que fugia vomitando medo por cada poro de sua pele. Um resto do sonho continua tão latente que tremo como se ainda mantivesse o chicote entre as mãos” (p. 16).
O submarino, entretanto, que deveria ser a sua nova fonte de renda, sofre um acidente logo na primeira viagem, deixando Runy, Mônica, sua esposa, e Jorge, seu melhor amigo, em perigo. Eles são salvos, porém, por um homem misterioso; mais alto que a média, muito loiro e extremamente forte, ele intervém no naufrágio. Aliás, não era a primeira vez que esse rapaz misterioso salvara Runy. Para tudo ficar ainda mais incomum, durante o naufrágio, uma estranha joia é encontrada no fundo do oceano.


Se tudo parece um tanto estranho, Runy começa a ter pesadelos muito reais com essa joia. E se esses pesadelos, na verdade, fossem visões de um passado distante?  E se o mundo fosse muito diferente do que Runy imaginasse? Isso é possível? Pedro Terrón, o autor desse incrível livro, tem a resposta.

Sem dúvidas, o livro é surpreendente, principalmente por ser uma mistura muito boa de fantasia com ficção científica. Entretanto, diferente de muitas obras, aqui a fantasia e a ficção vão se revelando aos poucos, tornando tudo muito mais aceitável e, até mesmo, real. O leitor vai mergulhando nessa nova realidade aos poucos, até se apaixonar completamente e não querer mais sair.
“É desconcertante a forma de captar o tempo em determinadas situações. Os segundos passam com uma lentidão desesperadora. De outro lado, o mar que nos invade parece subir com terrível rapidez. Continuando desse jeito, em seguida a água atingirá o rádio e poderemos ficar totalmente incomunicáveis” (p. 61).
Um ponto muito interessante da obra é a linguagem empregada. O livro é narrado em primeira pessoa, mas de uma forma quase poética. As palavras não simplesmente jogadas no papel, elas se combinam formando uma narração mais densa do que o comum. As falas são ricas e as reflexões são profundas.


Os personagens, por sua vez, são muito bem construídos. Podemos ver em Runy um amadurecimento a cada página. Ele começa quase como uma criança curiosa e termina como um homem profundo e cheio de mistérios. Os demais personagens também não ficam atrás. Em Mônica encontramos uma mulher centrada, cartesiana e muito racional. Jorge, pelo contrário, vive cada dia como se fosse o único.

A obra é incrível; a diagramação do livro não fica atrás. Com uma capa bonita, folhas amarelas e uma fonte grande, a leitura se torna ainda mais agradável. Além disso, entre os capítulos há uma diagramação especial; apesar de simples, bonita. A tradução está excelente, e, quanto à revisão, encontrei uns quatro erros de digitação, mas nada que atrapalhe a leitura ou desmereça a obra.
“A história que vou relatar começou numa quente noite de primavera quando a Natureza, espalhada por todos os cantos do Cosmos, se abre a quem sabe olhá-la” (p. 116).
Nunca havia lido autores modernos da literatura espanhola e confesso que fiquei encantado. Terrón dá uma aula de escrita. Com uma premissa única e uma linguagem envolvente, ganha o leitor logo no começo da obra.


Sem dúvida alguma, o livro é altamente recomendado para todos aquelas que adoram enredos fantásticos ou de ficção científica. Para quem não gosta, mas quer tentar uma primeira leitura nesse gênero, recomendo esse livro; certamente você irá se apaixonar.


Comentários
10 Comentários

10 comentários:

  1. E bom ver um personagem que começa como uma criança curiosa, e vai amadurecendo no decorrer da trama ao ponto de se tornar um homem profundo e cheios de mistérios, a premissa deste livro me chamou bastante a atenção, mesmo que eu não tenha costume de ler obras do gênero fantasia, ou de ficção cientifica, porém como estou tentando sair um pouco da zona de conforto, acredito que posso sim dar uma chance a esta leitura, já que sua resenha me chamou tanto a atenção, e a escrita desta obra me pareceu nos envolver logo nas primeiras páginas.

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  2. Mesmo não sendo tão fã de ficção científica, o enredo do livro me chamou muito a atenção. Gosto desta forma de ir colocando os personagens pouco a pouco, tipo em evolução realmente. E a mistura de aventura, mistério e até a pontinha de suspense são coisas que me agradam e muito!
    E estou tentando me lembrar se já li algo de algum autor espanhol..e não consegui me recordar.
    Vai para a lista de desejados!
    Beijo

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  3. Eu achava que não gostava de ficção científica e fantasia, mas a cada resenha me vejo encantada e curiosa com as histórias. Vejo que preciso ampliar meus horizontes no universo literário e me dar a chance de conhecer novos gêneros.
    E esse livro é um deles. Gosto de livros com uma escrita mais poética, deixa a história mais intensa e profunda. E é lindo quando vemos a evolução, o crescimento dos personagens .
    Também não conhecia nenhum livro de um autor espanhol.
    Gostei bastante da indicação, e estou curiosa para saber que jóia misteriosa é essa e o acontece com Runy e cia.

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  4. Marcos!
    Realmente pela resenha o livro parece carregado de ação e reviravoltas.
    Fiquei triste por saber que um enredo tão bom de ficção, se perdeu na escrita lenta do autor, embora seja uma escrita poética, acho que não condiz muito com um livro de aventura, não é?
    Um final de semana esplendoroso!
    “O amor é a única loucura de um sábio e a única sabedoria de um tolo.” (William Shakespeare)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
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  5. Oi, Marcos!!
    Que interessante a premissa desse livro, adoro livros de ficção e esse pelo que li na sua resenha e fantástico e bem instigante.
    Bjoss

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  6. Adoro fantasia e com essa mistura de ficção cientifica fiquei curiosa em saber como ficou, ainda mais tendo mistério que é um dos meus quesitos preferido. Gosto de personagens como o Runy curiosos e que vai melhorando cada vez mais no decorrer da trama.

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  7. Tenho um fraco por fantasia e já pela sua opinião vemos que o livro é realmente bom! A trama que nos encanta com personagens que evoluem positivamente e uma escrita agradável deixa a vontade ler ainda maior!
    Bjoxx ♥

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  8. Esse parece ser um livro bem legal, cheio de aventura e fantasia.Gosto quando os personagens evoluem ao logo do livro, isso mostra como o autor conseguir criar bem um personagens.

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  9. Olá!
    Ainda não conhecia o livro, gostei muito da premissa.
    Gosto muito de ficção cientifica mas não costumo ler muito do gênero. Vou anotar a dica.
    Adoro quando o livro é cheio de reviravoltas e aventuras <3
    Beijos

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  10. Oi Marcos!
    Ainda não conhecia o livro e nem o autor, o enredo parece legal e como gosto do gênero vou deixar anotado pra uma oportunidade.
    Bjs

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