15/05/2017

Resenha: Silo

Livro: Silo
Autor: Hugh Howey
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580574739
Ano: 2014
Páginas: 512
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Sinopse:

O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.
Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.
Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo. Um crime cuja punição é simples e mortal. Elas são levadas para o lado de fora. Juliette é uma dessas pessoas. E talvez seja a última.

Resenha:

Se eu tivesse que definir Silo com apenas uma palavra, ela seria sensacional. Dentre as atuais distopias que li, essa obra é uma das que mais se destaca. O enredo é inovador e o autor soube conduzir de maneira espetacular a obra. Deixemos, porém, os elogios para o final e vamos dar uma pincelada no enredo.

Imagine um prédio com mais de cem andares, autossuficiente, onde a energia consumida por ele é produzida dentro de si, onde o alimento ingerido pelos moradores seja produzido dentro do espaço coletivo. Consegue imaginar? Este é Silo, porém, com um pequeno detalhe: ele fica abaixo da terra.


Dentro dessa gigantesca estrutura, o regime político é extremamente rígido e cada um tem a sua própria função. Um erro pode comprometer o funcionamento e a vida de todos os habitantes. Silo é tudo que as pessoas conhecem do mundo, pois o exterior é tóxico e inabitável.
“Olhou para além dos adultos e das crianças que brincavam, em direção à vista enevoada projetada na parede do refeitório. Era a maior vista ininterrupta de seu mundo inóspito. Uma cena matinal. A luz suave do amanhecer cobria colinas sem vida, que pouco tinham mudado desde que Holston era menino” (p. 11).
Dentro deste cenário pós-apocalíptico, onde a lei é severa, quebrar as regras significa ser expulso do Silo, ser convidado a sair e fazer a limpeza. No caso, essa limpeza vem a ser limpar as câmeras que mostram o exterior para quem está dentro do Silo. Porém, há apenas um detalhe: quem sai jamais sobrevive.

Juliette assume um cargo de alto escalão dentro de Silo. Mesmo não se sentindo totalmente preparada, ela entra de cabeça nas suas funções. Porém, tal cargo fará com que ela descubra o que é verdade e o que é mentira. Porém, no Silo, saber a verdade pode matar.


Partindo dessa premissa, o autor foi extremamente detalhista na montagem da obra, não deixando escapar qualquer detalhe. Toda a construção é muito bem explicada e elaborada, tornando o livro muito mais realista. Além disso, como o enredo é eletrizante, viramos uma página atrás da outra, sem vontade de parar. Quando percebemos, horas já se passaram.
“Às vezes a poeira voava na direção dos sensores do silo em ondas, e cada uma a fazia se encolher como se estivesse prestes a receber o impacto no próprio corpo. O ataque da nuvem de poeira sempre era triste de se ver, mas ficava especialmente brutal no dia seguinte a uma limpeza” (p. 50).
Ademais, Hugh deu um show a parte na construção dos protagonistas e também dos coadjuvantes. Encantei-me com todos eles. Adorei a forte personalidade de Allison, a coragem de Holston em enfrentar o desconhecido; encantei-me com a doçura e inocência da velha prefeita Jahns, com o romantismo e com a subjetividade de Marnes. Todos eles foram extraordinários.

Contudo, Silo sem Juliette não seria a mesma coisa. A garota problemática, de personalidade forte e convicções mais fortes ainda, transforma o livro em algo inovador e inesperado. Decidida e confiante, ela age corajosamente, mesmo sabendo que muitas de suas ações provavelmente terão resultados trágicos para ela.


Se não bastasse toda a grandeza da obra, a Intrínseca caprichou bastante da na tradução e na revisão da obra; ambas ficaram excelentes. A capa do livro também é muito bonita e chamativa. A diagramação é muito boa também, apesar de simples. Como as letras são grandes, o espaçamento largo e as folhas amareladas, a leitura se torna ainda mais rápida e produtiva.
“Ela se virou outra vez para o telão, e os dois desfrutaram do silêncio que se formou. Era estranho estar sentada ali com aquele homem. Ela se sentia mais jovem e de algum modo mais segura na presença dele. Menos solitária, pelo menos” (p. 157).
Sem dúvidas, indico o livro para todos aqueles que quiserem desbravar uma boa distopia. Em Silo você encontra ação, suspense, aventura e reflexões sobre os problemas da nossa sociedade, tudo isso com uma linguagem fácil e dinâmica. Pode acreditar: é quase impossível não adorar a obra.



Comentários
14 Comentários

14 comentários:

  1. Puxa, admito que nunca tinha dado muita atenção a este livro. A capa nunca me chamou a atenção e por isso, nem tinha lido nada a respeito.
    Gosto muito de uma boa distopia, ainda mais quando o autor ou autora conseguem inserir muitos personagens importantes dentro da história.
    O que é bem o caso deste livro acima!!
    Quero muito poder ler!!!
    Beijo

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  2. Oi Marcos!
    O nome do livro tem tudo a ver com a história né. Em alguns casos, conhecimento deixa de ser poder e passa a ser ameaça né. Fiquei vidrada na sua resenha e sinto que preciso ter esse livro. Adorei toda a trama dele.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  3. Ai que delícia!! Vou ler com toda a certeza! Acho que já vou até comprar o segundo, porque pelo jeito vou querer embalar na leitura.

    Bjksssss

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  4. Oi Marcos
    Vi resenhas negativas deste livro e nunca me interessei, mas agora vc me animou, pois ´trouxe vários aspectos legais da obra e fiquei com vontade de ler.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  5. Eu sou um grande amante das distopias, mesmo que tenha sido supersaturada nos últimos anos. O livro tá na minha wishlist já faz um tempão, mas um dia eu leio, haha. Uma indicação que eu tenho pra te dar é The Handmaid's Tale. É baseada num livro clássico distópico E SINCERAMENTE, é uma das mais reais e duras distopias que já li. A série tá linda, super recomendo. Beijos.

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    1. Olá, Felipe.
      Excelente dica. Já anotei aqui e dei uma pesquisada. Parece ser excelente.
      Vou retribuir com outra dica: dê uma pesquisada no livro "Nós", que foi republicado recentemente pela Aleph. Tenho certeza que você vai adorar.
      Em breve, inclusive, postarei a resenha.

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  6. Marcos eu estava doida atrás de uma resenha desse livro, qro mto ler ele, adorei o enredo tbm, faz tempo q não leio distopias, espero conseguir ler logo!
    Bjs!!!

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  7. Estou com esse livro aqui faz um tempo e até hoje não li. Que bom ver uma resenha dele, porque agora me deu uma animada pra ver se coloco a leitura em dia. Gosto desse estilo de livro, distopia é sempre interessante. E o regime político rígido dele me deixou imaginando como seria a situação, se é tão tenso assim mesmo. Parece que a trama toda é bem construída, com um jeito original e personagens bem feitos pra dar aquela graça da coisa realista, de fazer a gente imaginar como se existisse de verdade e poder aproveitar ao máximo a leitura. Adoro quando uma história assim consegue fazer isso. Parece ótima de ler.

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  8. Eu sempre via esse livro mas nao dava muita atenção, até que fui a duas turnês da intrínseca e ele foi mencionado nas duas, gostei pra caramba do que a galera falou dele mas ainda não tive oportunidade de ler.
    Essa resenha me deixou ainda mais curiosa pra começar ele logo haha

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  9. Marcos!
    Uma distopia bem escrita, com cenários bem descritos e personagens, inclusive os secundários, bem delineados e ainda uma protagonista forte, tanto em opinião, quanto em atitude, não tem como não ser uma leitura interessante.
    Desejo uma ótima semana!
    “Conhecer os outros é sabedoria. Conhecer-se a si próprio é sabedoria superior.” (Lao-Tsé)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  10. Oi Marcos.
    Eu estou apaixonada por essa premissa o fato do livro se passar em um período pós apocalíptico é incrível e coisa toda do regime político não faz muito meu forte mas irei ler com certeza.
    P.S Lembrar de não julgar um livro pela capa.
    Bjs.

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  11. Oi, Marcos!!
    Gostei muita resenha ainda não tinha lido nada sobre esse livro mas achei a história bem interessante!! Legal a indicação!!
    Bjoss

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  12. Olá,
    Gostei muito da capa, tem cores super vivas. A trama dele me chamou atenção, em cenas assim sempre tem alguém que não gosta de regras e acabar por quebra-lá, gosto bastante disso..Com certeza eu leria esse livro!

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  13. Oi!
    Já faz um bom tempo que quero ler essa trilogia, mas vou deixando passar, pois sempre tenho tantos livros para ler. Mas agora, depois de ler sua resenha, me animei novamente! Gosto de uma distopia bem construída e com personagens fortes e determinados. Vou querer fazer a leitura em breve.
    Obrigada pela linda resenha.
    Abraços.

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