07/05/2017

Resenha: Rio: Zona de Guerra


Título: Rio: Zona de Guerra
Autor:  Leo Lopes
Editora: AVEC Editora
ISBN: 9788567901008
Ano: 2014
Páginas: 208
Compre: Aqui

Sinopse:

Em um futuro próximo, as desigualdades sociais e econômicas chegaram a níveis tão alarmantes que o Estado não tem condições de manter a ordem e garantir a segurança pública. Todo o poder é concentrado nas mãos de megacorporações multinacionais que criam e impõem as leis por meio de suas milícias particulares, chamadas Polícias Corporativas. No Rio de Janeiro, a Fronteira, uma muralha intransponível que cerca a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, protege os interesses das megacorporações, relegando os habitantes dos demais bairros a uma vida sem lei em um território dominado pelas gangues. Tudo pode acontecer quando o assassinato de uma prostituta no edifício de uma megacorporação leva um detetive particular a voltar para a Barra da Tijuca após anos de exílio no que todos se acostumaram chamar de Zona de Guerra. Em um futuro próximo, as desigualdades sociais e econômicas chegaram a níveis tão alarmantes que o Estado não tem condições de manter a ordem e garantir a segurança pública. Todo o poder é concentrado nas mãos de megacorporações multinacionais que criam e impõem as leis por meio de suas milícias particulares, chamadas Polícias Corporativas. No Rio de Janeiro, a Fronteira, uma muralha intransponível que cerca a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, protege os interesses das megacorporações, relegando os habitantes dos demais bairros a uma vida sem lei em um território dominado pelas gangues. Tudo pode acontecer quando o assassinato de uma prostituta no edifício de uma megacorporação leva um detetive particular a voltar para a Barra da Tijuca após anos de exílio no que todos se acostumaram chamar de Zona de Guerra.

Resenha:

Os leitores frequentes aqui do blog sabem que eu adoro uma distopia; hoje, estou trazendo para vocês um livro deste gênero com carimbo nacional e uma alta qualidade. Ficou curioso? Conto tudo abaixo.


As diferenças culturais e sociais se tornaram tão grandes que já não era mais possível a convivência entre as classes sociais ricas com o povo. O resultado foi a divisão do estado do Rio de Janeiro. De um lado a Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeiras dominados pelo luxo, glamour e alta tecnologia; do outro, o resto do RJ: a chamada Zona de Guerra.

Toda a Zona de Guerra carioca é dominada por diversas gangues que causam terror na população já pobre e desprovida. Todos que vivem daquele lado tem uma vida sofrida e, muitas vezes, curta. Na Barra, porém, apesar do luxo, há uma ditadura velada, comandada pelas grandes corporações. Só é possível saber e pensar o que essas megacorporações permitem.

“As ruas estavam desertas àquela hora. Todos sabiam que era suicídio andar sozinho pela Zona de Guerra depois das oito horas da noite. Freitas não se preocupava com isso. Ele conhecia o Méier como a palma de sua mão e o Méier o conhecia também. Não seria incomodado” (p. 11).
Porém, apesar dessa forte divisão, na Zona de Guerra vive um detetive diferente: Carlos Freitas. Ele mora lá porque quer e faz isso com um sorriso no rosto. Porém, um estranho assassinato ocorre dentro da Barra e ele é chamado para investigar. Contudo, Freitas nem imagina que esse único crime poderá mudar sua vida e também a Barra da Tijuca.

Como vocês devem ter percebido, o livro é uma mistura de distopia com um romance policial cyberpunk. Dentro desse cenário distópico e policial, o autor conseguiu criar personagens interessantes, um detetive inteligente e uma história bem original. Pelo enredo se passar no Rio de Janeiro, ainda é conferida ao leitor brasileiro uma espécie de familiaridade com a obra.

Carlos Freitas, sem dúvida, é o grande personagem do livro. O autor conseguiu trabalhá-lo bem, tanto fisicamente como psicologicamente. Embora o livro seja em terceira pessoa, conseguimos entender o pensamento e o modo de agir do protagonista, criando ainda mais verossimilhança.
“– É por essas e outras que eu saí dessa merda, Rocha. Aquelas pessoas não são piores que ninguém aqui dentro da Barra da Tijuca. Tem gente boa lá, gente que devia ter seus direitos protegidos, e não ser exilada para um lugar sem lei” (p. 33).
Os demais personagens também são bons e muitos deles, apesar da pouca participação, são cativantes, como Branquinho, um contrabandista que está sempre com um sorriso no rosto Por outro lado, acredito que o autor poderia ter dado um papel maior e mais desenvolvido para Vivian. Ela foi importantíssima para o desenrolar da trama, mas obteve poucos holofotes.

A narração do autor é muito ágil, fluída e cheia de ação. A investigação não é totalmente detalhada, mas isso não prejudica o desenvolvimento da obra, pois o autor acaba compensando com uma narrativa de tirar o fôlego. E, exatamente essa narração alucinante que deixa um gostinho de quero mais e gera uma expectativa para que haja outras obras.

Restaram algumas pontas soltas na obra, mas acredito que tenha sido proposital para que haja outros livros. Uma delas, por exemplo, é a criação das Zonas de Guerras que não foi explicada. Afinal, se o capitalismo prega uma falsa inclusão, dando ao trabalhador um salário pequeno, mas suficiente para sobreviver e consumir, por que criar zonas de guerras através do mundo e excluir essa grande massa consumidora? É a falsa sensação de inclusão que mantém o sistema funcionando.
“O holovisor era velho e muito usado, além de não ter as lentes limpas há muito tempo. O resultado era que a projeção tridimensional formada era falha, com pontos onde somente o vapor podia ser visto. Parecia que a imagem tinha sido atingida por uma saraivada de balas e eu a fumaça ainda saía dos projéteis incandescentes incrustados na coluna de luz” (p. 76).
Em Rio: Zona de Guerra, Leo Lopes mostra que possui um grande talento e está em processo de evolução. Ele ainda não pode ser comparado aos grandes gênios do gênero, como Philip K. Dick, mas acredito que ele tem tudo para chegar longe no mercado editorial. Ele é, sem dúvidas, um dos melhores autores brasileiros deste gênero.

Certamente a obra é indicadíssima, tanto para quem gosta de distopias misturadas com romances policiais cyberpunks como para quem é iniciante no gênero. Não deixe de ler, você vai adorar.



Comentários
15 Comentários

15 comentários:

  1. Marcos!
    Deve ser um livro ótimo e muito bem escrito, porque trazer uma distopia acoplada a um policial Cyberpunk não é para qualquer escritor.
    E o que mais gostei é ver que não é um futuro tão distante de nossa realidade atual, sim porque as megacorporações já dominam, principalmente no Rio e ainda tem isso, é ambientado em um local que podemos nos localizar, fantástico.
    “A juventude é a época de se estudar a sabedoria; a velhice é a época de a praticar.” (Jean-Jacques Rousseau)
    cheirinhos
    Rudy

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  2. Sabe, eu ainda fico surpreendida pela qualidade que nossos autores andam mostrando. Não conhecia o livro e a história já parece assim, tão familiar. Quem não acompanha pela tv ou internet o caos que já se instalou no Rio? E este livro parece meio que uma previsão(tomara que não).rs
    Mas como amo livros assim, vai para a lista de desejados com certeza!
    Beijo

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  3. Miniiiiino!! Deixa eu anotar o nome desse autor aqui na caderneta, pra ficar de olho nesse moço.
    Adorei a resenha!!!

    Bjkssss

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  4. Oii Marcos!!
    Adorei conhecer a obra, ainda mais com essa mistura de gêneros que eu curto bastante!
    Vai pra lista!
    Bjs!!

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  5. Oi Marcos.
    Que premissa e sinopse mais intrigante.
    Eu nem preciso dizer que fiquei. bastante curiosa para conferir, e o fato de que tem esse cenário de romance policial é mais que interessante.
    Preciso ler com certeza.
    Bjs.

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  6. Boa tarde, Marcos!
    Distopia?! Tô dentro! Fiquei super curioso com o livro, tanto pelo gênero distópico, aliado ao romance policial e à escrita ágil do autor, quanto pelo cenário. É bom ver um autor nacional valorizando nosso país e o usando como ambiente para sua história. Acho que o contexto do livro tem bastante similaridade ao momento que vivemos hoje não só no Rio, mas também em todo país.
    Abraços!

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  7. Achei esse livro interessante pelo gênero, essa mistura de distopia com policial e outras coisas. Também gostei porque moro no Rio, acaba tendo mesmo toda uma familiaridade para o leitor quando um livro é nacional. É interessante ler alguma coisa que se passe no estado onde a gente mora e com essa mistura dos gêneros fica bem interessante. Gostei da ideia dele.
    Parece que o protagonista é bem feito também e dá pra gente entender a pessoa, ver ela existindo e tal. Gosto quando conseguem fazer isso numa história porque por mais louca que possa ser ainda assim tem ali alguém com quem a gente possa se identificar e compreender. Parece uma boa aposta pra quem gosta de coisas do tipo e quer dar uma chance a uma história nacional assim. Gostei.

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  8. Gostei mto da mistura de romance policial e distopia, ainda mais sendo um livro nacional e ambientado aqui! Acho maneiro quando o autor opta por dar foco no que pode ser aproveitado aqui, como tantos autores estrangeiros fazem com seus países. E ainda a capa é linda!

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  9. Oi Marcos!
    Essa mistura de gêneros parece que deu certo. Fiquei animada para ler também porque temos como pano de fundo o Rio de Janeiro. Sempre que conheço os lugares onde as histórias se passam, parece que aproveito mais a palavra. Sempre que surge uma divisão tão gritante como essa do livro, as coisas tendem a ficar um poucos tensas né.
    Espero gostar o livro.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  10. Olá Marcos!
    Bom, esse não é meu tipo de leitura, sempre que vejo ou leio algo que me mostra a desigualdade na sociedade eu fico um pouco deprimida. Acho que não iria gostar de ler esse livro, mas amei a resenha. Beijos

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  11. O Brasil tem MUITO potencial para sustentar grandes distopias, a série brasileira da Netflix 3% é a prova viva disso, e é sempre bom apoiar a literatura nacional que não seja de drama familiar. É bem triste que o público brasileiro ame outros tipos de literatura mas quanto a nacional, só vende biografias e essa coisa de dramas familiares, o que não é ruim, mas né gente, vamo apoiar o diverso aASAHSUAHSUAHSUAHS sobre o livro em si, parece interessante, mas não tenho muito a acrescentar. Uma leitura futura, eu espero. Beijos.

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  12. Rs, achei interessante colocar Barra e Recreio como a parte luxuosa. Geralmente quando querem falar de luxo as pessoas tendem a ir pro óbvio e falar sobre a zona sul.
    Eu achei interessante a proposta, mas não leria no momento, pois distopia é um gênero que leio pouco e para ler eu tenho que estar bem na vibe, o que não está acontecendo nesse momento.
    Mas que bom que você curtiu e recomenda.

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  13. Olá,
    O livro deve ser incrivel tanto pela escrita e tanto pela historia. Já é raro eu ler livros nacionais mas sempre procuro a ler para conhecer um pouco os autores brasieliros e esse me chamou atenção pela historia, que se passa dentro de uma guange, sobre assasinatos e misteiro, gosto muito de misterio!

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  14. Oi, Marcos.
    Se não fosse por sua ótima resenha, a capa não iria me atrair para ler a sinopse. Mas achei a proposta do livro bem diferente e criativa.
    Apesar de não ler muito esse estilo, seria uma ótima chance de começar.
    Abraços.

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  15. Oi, Marcos!!
    Adorei ler a resenha desse livro!! Gostei bastante dessa distopia!! O livro parece ser bem instigante!! E melhor de tudo e nacional.
    Bjoss

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