05/02/2017

Desbravando Nós: Sejamos Todos Feministas


Era uma vez uma menina. Uma menina que nasceu com a alma florida, feita sonho. A menina sonhava em ser astronauta. Enquanto os adultos falavam sobre dificuldades e cifras, ela pensava nas estrelas. Como elas seriam de perto? Ela fechava os olhos e podia tocá-las. Era uma vez uma menina cheia de sonhos. Sonhos dela. Escritos e desenhados por si. E por sua alma feita confiança. E era apenas uma vez.

Era. Porque Sejamos Todas Feministas não é sobre a menina de alma florida. Sejamos Todas Feministas é sobre como uma sociedade machista arranca, pouco a pouco, as flores de uma infância feita primavera. Feita menina. É sobre como tudo vira rosa, sem opções. Sobre como tudo vira casa, cama, cozinha. Sobre como transformam meninas astronautas em mulheres submissas, impedidas de saírem do chão.

Sejamos Todas Feministas, com todas as ressalvas que eu, feminista, poderia fazer, é um texto sobre como nos designam tarefas. Como nos dizem o tempo todo o que fazer e como fazer. Sobre como nos tentam explicar tudo, quando sabemos mais. Sobre como nos impedem de fechar os olhos e, por pelo menos um segundo, tocar as estrelas.

Acontece que a menina flor, a menina força, a menina firme, não quer um segundo nas estrelas. Ela quer a vida. A vida que é dela. De suas escolhas. De sua força e de sua coragem. A vida que deveria ser sua, de suas escolhas, de sua força e de sua coragem. No entanto, ainda pequena, foram, aos poucos, arrancadas dela cada uma dessas coisas. Ser astronauta é para meninos. E, se ela chegar lá, irão perguntar se estava faltando gente para lavar os pratos no espaço.

É assim que, de repente, Sejamos Todos Feminista começa a fazer sentido. Por causa da menina força. Porque não há outra opção que a união e a força para que ela exista. É assim que a palavra incompreendida, usada como xingamento, vira, de repente, um pilar: feminista. Flor. Forte. Firme. Feminista. De pé para alcançar as estrelas. Forte, para resistir. Firme para sonhar.  Flor porque quer ser. Feminista.

É assim que, numa segunda, as seis, depois de ônibus lotados e assédios, ela se veste de astronauta e luta. Luta nas praças. Na rua, que é lugar da gente. Para lembrá-los de seus enganos. Para lembrá-los que a voz é dela. É nossa. A decisão é dela. É nossa. A força é dela. É nossa. As estrelas são delas. As estrelas são nossas.

“O ‘olhar masculino’, como determinante das escolhas da minha vida, não me interessa” (p. 42). Também não interessam à menina feita flor. Nem a você. O que nos interessa? As estrelas, a nossa liberdade. A escolha de sermos quem quisermos, dos pratos ao espaço. O lugar não é o problema, a falta de escolhas é.

Sejamos todas feminista é o que antes peço. E aqui eu repito: o laço entre nós, mulheres, é a essência da nossa resistência e liberdade.  Resistamos dentro e fora das páginas. Sejamos.

Referência:

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Sejamos Todos Feministas. São Paulo: Companhia das Letras, 2015

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Comentários
22 Comentários

22 comentários:

  1. Tá aí uma coisa que admiro nos meus pais, eles sempre me falaram que eu posso fazer o que quiser e ser quem eu quiser, que minhas conquistas dependem apenas de mim e que eu jamais precisarei de alguém, homem ou mulher, para me achar feliz, que não existe isso de trabalho de homem ou trabalho de mulher e de responder à altura pessoas com cabeças tão fechadas, esse livro parece ser bem interessante e até conheço algumas pessoas que precisam ler ele para verem que agem como idiotas.

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  2. Quero muito ler esse livro e não é de hoje. Você já viu uma campanha chamada "like a girl"? Acho que é da marca Intimus, não tenho certeza. Mas ela explora a expressão "like a girl", "como uma garota", e como ela soa pejorativa. Correr como uma garota é sinônimo de correr devagar, brigar como uma garota é sinônimo de bater fraco, e etc.
    A mulher é sempre subjugada, preterida e humilhada, por isso pessoas como a Chimamanda precisam existir, para mostrar que o feminismo não é vitimização, feminismo é necessidade, é igualdade.

    Beijo
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  3. Como não conhecia o livro, estou aqui fascinada com todo lirismo que li acima. Poesia pura, na sua forma mais natural possível. E eu adoro muito isso!
    Não é ser feminista, é ser mulher. O ponto mais alto. O apenas ser. Sem as imposições.
    Ah..utopia!
    Lerei se puder!
    Beijo

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  4. Olá, Mariane.
    Assim que der eu vou ler esse livro. Acho que é um livro que todos deveriam ler, principalmente os machistas de plantão. O pior é que tem muitas mulheres que concordam com esse tipo de tratamento. Acham que os homens merecem mais que as mulheres. Ótima postagem.

    Prefácio

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  5. Oi Mariane!!
    Realmente é um daqueles livros de leitura obrigatória o mais rápido possível.
    As mulheres também tem o direito de seguir sonhos e a profissão que desejam, e não "ficar atrás do fogão" como muitos caras por ai pensam..
    Abraço.

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  6. Oi, Mariane!
    Eu fiquei tão feliz quando vi esse livro de graça na Amazon *---*
    Adorei seu texto e concordo com tudo.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Promoção Quatro Anos de Minhas Escrituras

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  7. Oieee,eu já tinha visto uma resenha desse livro,e fiquei mega feliz pelos pontos de vistas abordados pela autora,achei que ela descreve tudo com propriedade e equilíbrio. Acho de extrema importância livros assim,para nos fazer refletir e tentar difundir pensamentos melhores e acima de feminismo,a de igualdade... Olha,na minha opinião,aceitando ou não,é um fato que homens e mulheres são diferentes já por natureza, isso se reflete, consequentemente,em vários aspectos da vida em geral,no cotidiano,mas não gosto do pensamento de um sexo ser exaltado perante outro,como muitas feministas extremas pensam... É claro que isso não significa que não possamos lutar para melhorar salários,e contra pensamentos preconceituosos e machistas,pois devemos sim,temos todos os direitos ao melhor e a fazermos o que queremos,mas querer rebaixar os homens nesse processo para enaltecer as mulheres creio que não seja o melhor caminho.. Nenhum gênero é superior ao outro,mas sim diferentes,o que precisamos é saber conciliar as diferenças e difundir que ninguém é superior ou inferior á ninguém,e que desde crianças possamos a aprender a respeitar a todos e que possamos fazer o que quisermos,pois temos capacidade SIM...claro que é um fato que o machismo oprime muito e é extremamente comum (infelizmente),mas saibamos lutar contra isso de forma equilibrada ... Enfim,é um assunto bemmm polêmico mesmo,mais fico chateada com os extremos que vejo dos dois lados,machismo e feminismo  Que possamos viver uma vida equilibrada e que isso se infunda p/ as próximas gerações.

    Então,bem curiosa para ler esse livro,só pelos 2 trechinhos que você tirou foto eu fiquei interessada,pois me parece que a autora discorreu sobre o assunto de uma forma sensível e anexando suas experiências *-*
    Beijosss

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  8. Oi, Mariane!
    Gostei muito dessa postagem!! Lindas palavras!! Recentemente abaixei pela Amazon esse livro e de graça então depois que li esse texto tão bonito vou começar já minha leitura nesse livro!!
    Beijoss

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  9. Mariane!
    Devemos mesmo conquistar nosso espaço em um universo que já foi mais machista, porém ainda subjuga a mulher em várias sociedades.
    Mas temos de fazê-lo de forma a não perdermos nossa feminilidade, devemos fazê-lo através de cada mínima conquista, mostrarmos que somos fortes e obstinadas e que nada, nem ninguém, pode nos privar de nossa liberdade.
    Desejo um ótimo domingo!
    “Um saber múltiplo não ensina a sabedoria.” (Heráclito)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

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  10. Oi, Mari. Tudo bem? Ótima postagem, como sempre. Como feminista sempre fico arrepiada e alegre ao ler textos assim. Alegre porque é uma gotinha de esperança nesse mundo tão machista. Vamos resistir. Vamos nos unir. Vamos lutar. Vamos vencer. Um beijão
    profissao-escriror.blogspot.com.br

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  11. Nunca li nada do gênero e não sou extremamente feminista, mas me interessei pela leitura. O triste é que muitas vezes a própria família mata a força nessas mulheres, pensando que as estão protegendo

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  12. Oi Mariane!

    Eu amei a leitura desse livro! Quando comecei a leitura, pensei que encontraria questões extremistas, mas acabei me apaixonando pela forma como a autora conseguiu se expressar! Sua narrativa me fez pensar muito e senti vontade de ler mais livros do gênero.

    Tbm gostei mui do seu texto. Simples, detalhista e muito verdadeiro.

    Bjo bjo^^

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  13. Olá!
    Já tinha lido um resumo da obra, gostei bastante, apensar de nunca ter lido algo do gênero...
    Anotei a dica!
    Bjs

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  14. Quero muito ler esse livro, primeiro porque da para notar que nos mulheres iremos nos identificar durante a leitura, além de aborda um tema do qual tenho muita vontade de conhecer a fundo sobre o assunto. Espero ter oportunidade de adquirir o livro.

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  15. Nossa acho que ainda estou absorvendo as palavras desse texto, não conhecia o livro, tô apaixonada por ele, o feminismo foi muito importante na minha vida principalmente nessa minha época agora de adolescente que "conhece" o mundo, me sentia tão deslocada por não concorda com vários pensamentos de pessoas ao meu redor, tinha medo até de expor tais pensamentos mas ai conheci o feminismo e vi que eu não sou a única a ter esses pensamentos e que eu não devia ter medo algum de expor eles seja pra quem for.

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  16. Belíssimo texto. Eu ainda não sei se posso dizer que sou feminista porque pouco sei sobre o assunto, e não gosto de dizer que sou algo que nem posso explicar. Mas é um assunto que me interessa e pretendo saber mais. Inclusive tenho o e-book desse livro, e agora que li seu texto, lembrei dele e irei ler. Começar logo hoje, pra não deixar de lado por mais tempo.

    Abraços :)

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  17. Achei um livro bem interessante porque parece destacar a importância de estamos juntas nessa luta, de não aceitar o que dizem que a gente deve fazer e o que podemos ou não fazer. Ele parece jogar na cara como os velhos valores e crenças acabam oprimindo a nossa liberdade, fazendo ter a ideia de que não dá pra fazer tal coisa porque isso e aquilo é tarefa de menino e etc. É bom pra fazer abrir os olhos e entender o que o movimento tem como objetivo.

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  18. Olá, o livro serve para quebrar estereótipos que ainda persistem na sociedade, fiquei intrigado para ler pois podemos refletir sobre se ainda mantemos atitudes que proporcionam benefícios somente a um lado, escanteando o outro. Beijos.

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  19. Quero muito ler este livro. Ótima reflexão sobre ele, embora muita coisa tenha melhorado para nós, ainda há muito para mudar, ainda sonho com uma sociedade onde homem e mulher sejam tratados de maneira igual.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

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  20. Hoje eu posso dizer que ficou muito feliz porque atualmente os direitos das mulheres está sendo muito mais trabalhados em vez de serem deixados de lado, eu lembro quando era criança que eu tive coleção de carrinhos mas sempre era reenprendida por brinca com eles pois eram brinquedos de meninos. Aos 15 anos não pude escolher a cor do meu próprio quarto, eu queria azul bebê mas minha mãe disse que era masculino e hoje ele é rosa, pra termos uma noção de como até mesmo nas mulheres as ideias do que é de menina e menino estão firmente plantadas e não é uma coisa fácil de aceitar. Essa mulher tem meu respeito e eu aconselho a todos em ver se seu discurso em qual o livro foi baseado pois foi ótimo ver ela discursando sobre isso. Obrigada por trazer a resenha desse livro.

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  21. Olá...
    Que texto lindo... É bom podermos ver que, mesmo tendo ainda direito diferentes dos homens, estamos conseguindo ocupar nosso lugar no mundo... Precisamos continuar correndo atrás dos nossos sonhos sem nunca desistir... Fiquei com muita vontade de ler esse livro...
    Beijinhos...

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