04/05/2016

Resenha: O Papel de Parede Amarelo

Título: O Papel de Parede Amarelo
Autora: Charlotte Perkins Gilman
Editora: José Olympio
ISBN: 9788503012720
Ano: 
2016
Páginas: 
112
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Sinopse:

Este clássico da literatura feminista foi publicado originalmente em 1892, mas continua atual em suas questões. Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman, ele narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa passageira. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, a protagonista fica obcecada pela estampa do papel de parede do seu quarto e acaba enlouquecendo de vez. Charlotte Perkins Gilman participou ativamente da luta pelos direitos das mulheres em sua época e é a autora do clássico tratado Women and Economics, uma das bíblias no movimento feminista. Esta edição de O papel de parede amarelo, que chega às livrarias pela José Olympio, traz prefácio da filósofa Marcia Tiburi.

Resenha:

Quando peguei o diminuto livro O Papel de Parede Amarelo não imaginava uma leitura tão densa, profunda e perturbadora. Quem julga o livro pela capa e tamanho irá se enganar; a qualidade da obra é inversamente proporcional ao número de páginas. Com uma poesia e uma metáfora potente, Charlotte Perkins Gilman conquista e choca o leitor.

Nossa protagonista, supostamente, sofre dos nervos. Ela foi diagnosticada com propensão à histeria leve por seu marido e por seu irmão; sendo os dois médicos reconhecidos. Mesmo não concordando muito bem com os métodos de cura e com o diagnóstico, a protagonista resigna-se ao tratamento. Afinal, o marido dela é tão bom para ela e apenas quer o seu bem. Então, para que se trate, a protagonista, John – o marido – e Jennie – a irmã do cônjuge da protagonista – vão ficar por algum tempo em uma casa campo.


Contudo, nada nessa casa acontece como imaginado. Primeiro, a protagonista é obrigada a ficar em um quarto que não deseja, onde há um horroroso papel de parede amarelo. Depois, o marido a priva de companhias interessantes, pois ela precisa esvaziar a sua mente. Por fim, é obrigada a ficar no quarto, descansar e está proibida de escrever. Ela o faz apenas escondido, o que gerará o relato que temos em mãos. A pergunta que fica é: esse quase cárcere privado irá curá-la ou piorar a sua situação?
“Não sei por que escrevo isto. Não é algo que eu queria fazer. Não me sinto capaz. E sei que John acharia um absurdo. Mas tenho que expressar de alguma forma o que sinto e penso – é um alívio tão grande!” (p. 35).
Partindo dessa premissa, Gilman cria um conto profundo e que reflete sobre o papel que é imposto à mulher pela sociedade. Percebemos como as mulheres são obrigadas a se resignar ao lar, a apenas cumprir ordens e ser, praticamente, meras reprodutoras. Claramente, nossa protagonista quer romper com esse padrão, mas não consegue, visto que seu marido não permite. Ademais, ainda há a cunhada que se porta como uma perfeita “mulher do lar”. Mesmo que esta não comente em nenhum momento sobre o papel da mulher ou sobre a doença da protagonista, a mera presença constante é aterradora.

Além disso, a autora trabalhada com um recurso muito interessante durante o conto: a personificação do papel de parede. Ele parece ser metamórfico, adaptando-se sempre aos desejos e aos anseios da protagonista. O que parecia ter um padrão abstrato transforma-se em uma prisão da alma, das vontades, do desejo de ser diferente. No fim das contas, a protagonista vive através do papel de parede, já que é nele que ela se enxerga, se encontra.


Outro detalhe muito importante para a compreensão do texto é a percepção do leitor. O conto, claramente, possui diversas camadas. Dependerá do grau de leitura de quem desbrava a obra para construir o sentido do que está ali relatado. Você pode ler o conto como um realismo médico de cunho psicológico, pode entender como terror leve e psicológico ou pode ir mais profundamente e captar nos detalhes todas as críticas sociais.
“De todo modo, não estranho nem um pouco seu comportamento, depois de três meses dormindo sob esse papel.
O papel só interessa a mim, mas estou certa de que John e Jennie foram secretamente afetados por ele” (p. 62).
Quanto à parte física, não tenho o que reclamar. O texto é acompanhado por um material de apoio maravilhoso, contando com explicações históricas e uma possível interpretação do conto. Além disso, temos uma capa que reflete bem o que deve ser esperado da obra e uma diagramação muito confortável, proporcionando uma excelente leitura.

Em suma, O Papel de Parede Amarelo é um conto denso, mas de escrita simples; as diversas camadas que possui permitem múltiplas interpretações, o que é genial. Por fim, é uma crítica sutil e inteligente, que deve ser lida por homens e mulheres. Sem dúvidas, mais do que recomendado.




Comentários
31 Comentários

31 comentários:

  1. Oi, Marcos
    Que bom que gostou do livro. Podemos ler diante todas essas camadas mesmo.
    Esse foi um dos melhores contos que li, por ser tão profundo apesar do tamanho. Uma das melhores mensagens feministas nas entrelinhas.
    Ótima resenha!

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  2. Nossa! O livro chamou minha atenção. Gosto de leituras assim e com certeza esse livro acabou de entrar para minha lista de livros desse ano.

    http://quantomaislivrosmelhor.blogspot.com.br/

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  3. Olá Marcos!
    Uaal que história chocante! Me deixou bastante curiosa pra saber mais sobre o destino da protagonista...
    Gostei bastante da capa tbm, imaginava um romance, mas me surpreendi...
    Bjs!

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  4. Realmente achei o conto bem denso, pelo fato de aborda temas psicanalíticos, o recalque do desejo da mulher, a leva a depressão, o que acaba fazendo com que ela fiquei histérica, você não deve estar entendo nada,porém sou estudante de psicologia, e a todo momento temos contato com esses tipos de caso que acontecia no passado, por serem casos pouco conhecido, ás pessoas tratavam como loucura. Não conhecia o livro, uma pena, no entanto fiquei muito interessada nessa leitura, acho que vai da para associar bastante com as matérias que estudo na faculdade.

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  5. Nossa Marcos, não conhecia o livro, mas claro que já vou colocar na minha lista. parece um ótimo conto. Ele acaba sendo bem como um terror leve e psicológico, mas ao mesmo tempo é uma crítica social. Afinal muitas mulheres vivem nesse terror psicológico. Quantas mulheres não são vítimas de casos assim? Fiquei arrepiada só de ler a resenha, com o livro então... mas com certeza vou ler.
    Beijos e obrigada pela dica
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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  6. Oi Marcos!

    Eu seria uma das pessoas que julgaria o livro pela capa e não o leria. Porém, gostei da sua resenha e por ser um livro curto e denso, creio que eu saberia aproveitar a leitura.
    Não conhecia a autora nem a editora. Vou procurar mais sobre eles e adicioná-lo na minha lista de desejados!

    Bjo bjo^^

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  7. Que livro clássico e intrigante. Uma pena saber que as mulheres são tratadas assim e consideradas inferiores. Acredito ser uma obra muito critica, lançando a ideia de uma mulher se tornar louca por ficar presa.
    Bom dia !

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  8. Eu não conhecia a obra, a leitura
    vale a pena!
    Beijos!

    EsmaltadasdaPatyDomingues


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  9. apesar de vc ter dito que é um classico eu nao conhecia o titulo, gostei bastante da resenha pra conhece-lo

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  10. Olá!

    Amei essa capa, me chamou muita atenção e parabéns pela resenha, gostei muito, eu não conhecia esse clássico e a história me interessou muito, esse livro explora muito o psicológico dos personagens, é um livro pequeno que se ler rápido, mas a mensagem que ele transmite é grande.

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  11. Oie, que lindo seu blog, o design esta muito top!

    Amei seu post tamém, ficou diferente e criativo ;)

    você já conhece o blogueira que inspira?

    www.blogueiraqueinspira.blogspot.com.br

    se vc me seguir, com certeza sigo de volta ♥

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  12. Ultimamente tenho visto grandes histórias em pequenos livros, alguns bem pequenos mesmo. Tive algumas experiências assim esse mês.

    Este livro está na minha lista de desejados. Quero muito ler!!!

    Bjkssssss

    Lelê

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  13. Nossa, com certeza O Papel de Parede Amarelo foi um dos livros e mais me fez ser feminista. Sou estudante de Serviço Social e eu li ele com olhares críticos sobre a sociedade. Mas, pensando bem você tem razão, existe muitos olhares e muitos leitores para lê o conto. Adorei a sua resenha, mais uma vez! Ah, e eu também gosto muito da autora.

    www.priscilaaborda.com

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  14. Oi, Marcos!
    Vi várias resenhas sobre esse livro e ele cada vez me parece mais denso, profundo e perturbador.
    Fiquei muito curiosa para ler, apesar de saber que vou sofrer com a protagonista.
    Nem consigo imaginar como seria terrível ficar presa no quarto só tendo esse papel de parede horroroso para olhar.

    Beijooos

    www.casosacasoselivros.com

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  15. Olá, Marcos.
    A sua é a terceira resenha que leio desse livro e todas foram bem parecidas nos elogios. E é claro que quero ler ele. Estou lendo um livro no momento que também aborda essa questão do papel da mulher, mas de uma forma diferente. Eu que não gosto muito de amarelo acho que ia ficar louca no lugar dela hehe

    Blog Prefácio

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  16. Que dica maravilhosa do livro amei
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/
    Canal:https://www.youtube.com/watch?v=DmO8csZDARM

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  17. Oii, adorei o post, me chamou muito a atenção, gostei bastante do livro, e da resenha claro!
    Vou procurar saber sobre a obra, gostei apesar da história ser do "feminismo".
    Abraços!
    http://umalbumpanoramico.blogspot.com.br/

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  18. Fiquei chocada com o enredo desta história. É como ler um diário de uma pessoa mantida em cárcere privado, que não sabe se tem ou não uma doença. Gostei muito. Gostei mais ainda da obra permitir diferentes percepções e interpretações. Gostei muito da resenha e da dica.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

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  19. Oi Marcos
    Demais o enredo e apesar de ter dito que é clássico, não o conhecia. Me interessou a protagonista defender o feminisno e ser considerada com problemas psicológicos. Esse assunto está presente nas discussões atuais. Com certeza vou conhecer! Parabéns pela resenha.

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  20. Olá, marcos! Achei muito interessante a premissa dessa obra, parece ser ótimo e uma leitura bastante enriquecedora. Com certeza irei ler esse livro, me atraiu bastante. ótima a sua resenha! Muito bem escrita!
    Beijos,
    Luana Agra - http://sector-12.blogspot.com.br/

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  21. O livro mostra com nitidez o machismo e o feminismo, um livro com muitos valores, gosto quando os personagens possuem problemas psicológicos, assim a narrativa acaba se mostrando mais rica

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  22. Oi Marcos!

    Super concordo com vc é uma critica sutil, inteligente e genial! É um livro tenso, denso e fico feliz por tb ter gostado!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  23. Já vi muitos booktubers falando sobre esse livro, então eu já o conhecia. Tenho vontade de o ler, porque eu acho a premissa dele muito interessante.
    Enfim, ótima resenha! Ela apenas reforçou a vontade que eu já tinha de ler essa obra!

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  24. Nossa, Marcos!
    Que história profunda, não conhecia o livro e com toda certeza o julgaria pela capa mas lendo sua resenha percebi que o conto é bem melhor do que aparenta. Essa questão que ele propõe é interessante de pensar.

    Parabéns pela linda resenha.

    Beijos,

    http://www.liliterario.com/

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  25. Oi Marcos,

    Engraçado que eu estava pesquisando sobre esse livro, em inglês, e não fazia ideia que tinham lançado por aqui. Achei a premissa estranha, mas com tantas reflexões interessantes que vou correr atrás pra ler. Livro com titulo e capa singelos, mas que escondem um conteúdo bom. Gostei, boa dia. =)

    Bjs, @dnisin
    www.sejacult.com.br

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  26. Marcos,ainda não li ainda,mas gostaria muito de conferir esse clássico e ver de perto o quanto densa,profunda e perturbadora é essa obra.Fico pensando no sofrimento dessa mulher confinada em um quarto com um papel de parede horroroso,sem ter contato com outras pessoas e proibida de escrever.Achei interessante a personificação do papal de parede.Ansiosa para conferir.

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  27. Não conhecia esse livro e nem sua autora. A capa gostei muito, me chamou muito a atenção porque gosto dessa cor e adoraria ter em minha estante. Fiquei muito curiosa para ver o desenrolar dessa história, tão forte, chocante e verdadeira, infelizmente...Já na minha lista de leituras. Obrigada.

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  28. Oi
    esse parece ser um livro envolvente com uma história profunda, só conheci esse livro por causa das divulgações, deve ser muito ruim para a mulher ficar confinada sem poder viver e lutar pelos seus ideais.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  29. Já conhecia o livro pela resenha minha amiga Manu que fez para o meu blog, por isso já adicionei na minha lista de leitura, e pela sua resenha este livro parece ser daqueles que podemos ler mais de uma vez pois a cada leitura vamos perceber outros aspectos que até então não tínhamos notado. Uma obra muito interessante.
    Abraços,
    Gisela
    Ler para Divertir
    Participe do Top Comentarista de Maio, serão 3 ganhadores e você ainda pode ganhar um livro a sua escolha.

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  30. Oi!
    Conheci esse livro da Charlotte Perkins Gilman a pouco tempo mas logo fiquei muito interessada nessa obra, parece ser um livro bem reflexivo e achei interessante essas diversas interpretações que o leitor pode fazer, se tiver oportunidade quero muito ler esse livro !!

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  31. Nunca tinha ouvido falar da obra! Quero ler pelo lado psicológico. As formas como certos disturbios eram tratados e como se evoluiu desde então

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